Como construir uma guitarra

  Construir uma guitarra era uma vontade antiga. Bom várias foram as tentativas até finalmente terminar ou desistir. Aqui nesse fotolog você pode ver fotos de todos os passos: winchesterguitar.fotopages.com/
   Apesar desta página conter um texto explicativo o fotolog contém mais fotos.

Começando a escolher a madeira

    A madeira é essencial no som do instrumento. Construir uma guitarra exige que o construtor saiba qual tipo de som quer que o instrumento seja capaz de ter. A densidade da madeira e a forma de como as fibras da madeira são dispostas altera o som do instrumento. Madeiras densas são madeiras que ao longo dos anos demoraram a se formar. No som de uma guitarra, o que gera o timbre é a ressonância com que as cordas conseguem "provocar" a madeira. Essa ressonância "segura" as notas por mais tempo. Por exemplo, o mogno da amazônia que possui densidade 0,63 g/cm³, costuma ter velocidade de transmissão de energia mecânica baixa. Isso significa que a onda da nota será trafegada pela madeira numa velocidade menor. Em consequência disso faz com que a guitarra tenha alta sustentação das notas, e seja capaz de reproduzir sons graves e médios com mais destaque. Madeiras de densidade mais baixa como cedro, que possui densidade média de 0,55 g/cm³ costumam ser usado em guitarras que tem som agudo mais característico. O mogno é chamado nos EUA de Mahogany é usado nas consagradas LesPaul usada por BB King, Slash do Guns and Roses e muitos outros artistas consagrados.

    Além da densidade a constituição da madeira na natureza também influência. O maple canadense costuma ter veios grandes na madeira por onde passa a seiva (maple syrup) que é bem gosmenta por sinal. Essa seiva com o passar dos anos seca e se transforma numa resina que possuí excelentes características físicas para instrumentos musicais. Daí vem algumas das lendas que instrumentos antigos soam melhor. Uma madeira pra ter um uso em lutheria deve ser rígida, ter uma densidade média, e ser lenhosa. Existe guitarras de resina industrial e guitarras de ferro, elas costumam ter som forte em poucas frequências e muito fraca nas outras. Por exemplo o ferro é fortíssimo nos sons médios e tem baixa sustentação de notas a resina segue o mesmo caminho. Outra característica é em muitos casos estética. Os desenhos mostram a madeira pura, com um verniz ou verniz colorido  para deixar a guitarra mais bonita. É fundamental também casar de forma eficiente a madeira do braço e do corpo.

    Geralmente se usa uma madeira leve para o corpo e uma mais densa para o braço, para que o tocador não saia com lesões nos ombros. O fato das guitarras serem feitas de madeira cria uma mágica em cima da lutheria. Você pode comprar uma guitarra da melhor marca que existe que tem uma falha no meio da madeira e o som não ser tão bom quando aquela guitarra de marca "mais ou menos" que a madeira por sorte estava impecável. O fato de ter nós no meio (pontos que seguravam os galhos da árvore) que são aglutinados de seiva super resistentes pode deixar o som da sua guitarra mais autêntico.

Trabalhando a madeira

    A idéia de construir uma guitarra começo quando eu cortei uma árvore no jardim, uma cerejeira cujo nome científico é a Eugenia involucrata. Eu achava até então que ela era a famosa cherry wood. Mas na verdade é a cerejeira do mato barata. Eu comecei a de brincadeira escavar um braço de guitarra nela... aos poucos a brincadeira foi se tornando séria. Aí foi importante que decidisse qual era o objetivo da guitarra, qual som ela deveria ter. Como eu já possuía uma réplica da brilhante StratoCaster, que é uma guitarra de som agudo, a idéia era criar uma guitarra grave. Então a minha cerejeira do mato nao servia mais pois era leve, forte mas elástica (uma porcaria pra usar em guitarra). Aí que liguei pra madereira e falei: "Qualé, quero a madeira mais densa daí." Me venderam a Itaúba (densidade de 0,88 g/cm³) era realmente muito densa. Tão densa que nenhuma guitarra vendida no mercado tinha madeira com essa densidade.
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    A itaúba é uma madeira dura, amarelada quando verde, marrom quando seca e pouco elástica, parecida com a Imbuia. Ela é, como já foi dito, muito densa. Para cortar a madeira que será usada deve se cortar perpendicular a árvore que estava plantada na natureza. Isso porque as fibras devem estar no mesmo sentido da guitarra, caso contrário será impossível trabalhar na madeira. A idéia agora era ter uma guitarra com som único, longe de qualquer outra comercializada nas lojas. Agora deveria escolher o formato. Muitas as sugestões dos leigos pediam que fosse em formato V, X ou Machado como do Kiss. Realmente para quem vê é bonito, mas para quem toca um lixo. Estas guitarras não possuem conforto nenhum e seu formato prejudica o som. A madeira que estiver presente no corpo é fundamental; as ondas de som se propagam e reverberam na madeira ao chegar no final da matéria que a compõem.  Quanto mais madeira maior será a gama de reverberações e melhor será o timbre da guitarra. Logo a minha guitarra deveria ser capaz de reproduzir sons graves, deveria ter muita madeira. Então o protótipo inicial computadorizado sugerido foi:

    Daí comecei a cortar essa madeira com a única ferramenta elétrica que tinha, uma tico-tico (que por sinal quase queimou). Usei meu violão e minha guitarra como modelo. Até então nao sabia mais o violão tem corpo maior que a guitarra. Então eu fiz um meio a meio dos dois (visto que eu queria uma guitarra maior). Depois de cortada o resultado foi esse:
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As ferramentas usadas foram uma lima, um cepilho (desbastador) e uma lixadeira. Aí foi começar a limar o corpo, isso tudo foi feito artesanalmente. Depois de muitos cortes na mão, muito suor e sangue a coisa parece estática. Não se tem a impressão que está evoluindo. Ainda mais quando se trabalha com uma madeira dura. Enquanto isso muitas idéias fervilham na cabeça. O resultado parcial foi esse:
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Este é uma costela do corpo. Dá pra ver que não mudou muito, o que mostra que o trabalho é feito em pequenas partes. O braço agora precisaria ser substituído e abandonado a cerejeira do mato. Agora que seria pensado qual madeira usar no braço. Não houve dúvidas, deveria ser a mesma madeira do corpo, pra evitar diferenças de densidade. Também houve outra questão, era preciso definir modelo do braço. O headstock ou paleta do braço (parte onde fica ligada as tarrachas) é angulada nas guitarras graves, mas é reta nas guitarras agudas. Nos violões, guitarras acústicas e outras guitarras forma 14 Graus com relação ao braço. Bom então eu precisei pedir pra um cara que fazia móveis dar uma mãozinha na angulatura. Então fiquei indignado com a facilidade de se trabalhar com ferramenta adequada. A angulatura de 14 graus abaixo:
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   Tive que abrir um buraco para encaixar o braço. Medi meticulosamente a angulatura e no olho mesmo quanto ela deveria entrar pra dentro. Deveria ser um tanto profundo para aguentar a tensão das cordas, porém a escala deve ficar uns 8 milimetros a 1cm de altura. Peguei o formão e comecei o trabalho manual. Trabalhar com madeira exige muita destreza, qualquer erro é fatal. Se houver uma rachadura ela se propaga e vai sempre aumentando. Enfim emprestei uma lixadeira automática do meu tio e não tão mais facilmente, mas um pouco mais rápido, meses depois estava assim:
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Bom agora com o braço parcialmente cortado e o corpo também tava na hora de fazer os furos para parte elétrica. Agora não houve dúvidas, os captadores seriam os graves Humbuckers no formato soap. Estes captadores duplos possuem duas bobinas dispostas uma ao lado da outra ligadas em série o que aumenta muito a saída da guitarra e evita ruídos (hum), além disso possuem uma capa de metal por fora pra blindar a captação. Foi definido não se colocar escudo na frente da guitarra, para dar um ar mais Vintage a ela. Logo os furos seriam feitos na frente mas a parte elétrica manuseada atrás. Com um formão e uma furedeira com muito cuidado ao longo dos dias fui fazendo os furos.


Continua
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Sobre o autor

Possui graduação em Ciência da Computaçao, escreve artigos informais para diversos websites.

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Desde 2004 traz artigos informais de software livre e computação, alguns novos, alguns antigos.



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